Sobre saudades eternas

11:53

Vivi uma infância feliz. Tive amigos, brinquedos, companhia e adorava brincar na praça do prédio onde eu morava. Passava a manhã com meus avós, de tarde ia para escola e quando voltava ia correndo brincar na pracinha. Tristes eram os dias sem horário de verão, quando o sol baixava cedo e eu não tinha tempo de brincar porque minha mãe nunca deixou ficar até tarde na rua. Mas até quando eu ficava triste eu era feliz, porque eu tinha tudo o que precisava. Mesmo que chorasse pela nova boneca Barbie ou fizesse um escândalo para poder ficar mais cinco minutinhos brincando de esconde-esconde. Eu era alegre e falante.

Meu pai vivia longe de mim, mas era presente e a gente tinha um encontro marcado todos os domingos, quando ele ligava pra mim e eu ligava pra ele.  Desligava o telefone e chorava por horas, sem saber medir a saudade. Quero sentir essa saudade de novo. Eu sabia que dali uns meses, eu o veria.

 Foi pelo meu pai que aos seis anos viajei sozinha de avião pela primeira vez. Foi do lado do meu pai que eu deitei no chão da sala só pra ouvir música. Foi do lado dele que fiquei acordada até às dez da manhã, deitadinha, porque eu gostava de acordar cedo e ele gostava de acordar tarde. Mas eu esperava, porque eu sabia que mais tarde ele me levaria para conhecer lugares mágicos na cidade mais legal do Brasil.


Aos sete anos, conheci minha pior inimiga. Foi num domingo ensolarado, antes do meu pai me telefonar. Eu queria ouvi-lo. Queria saber das novidades da semana, perguntar quando nos veríamos e claro, solicitar os presentes que queria ganhar no Natal. Mas ela pousou no meu caminho antes de tudo isso acontecer.  Meu pai não me ligou aquele dia. E eu fiquei triste. Chorei mas não de saudade, não da saudade que eu costumava sentir. Não chorei porque não ouviria sua voz naquele dia. Eu chorei de raiva, chorei de tristeza e chorei porque eu nunca mais ouviria a voz dele.

Não foi esse o dia que eu aprendi o que era saudade de verdade. Foi depois. Foi quando eu vi minha mãe chorando. Quando todo mundo me pegava no colo e dizia que tudo iria ficar bem. Não ia, eu sabia que não.

Eu aprendi o que era saudade quando chegou o Natal e eu não abracei meu pai. Quando eu me lembrei dele se despedindo de mim na última vez que nos vimos. Aí eu senti uma saudade desgraçada. Daquelas que apertam o coração e fazem dele uma bolinha de gude. O tipo de saudade que a gente não sabe descrever. E mesmo não sabendo, eu afirmo: a saudade de alguém que morreu é a pior dor que alguém poderia sentir. Eu preferiria que arrancassem todos os meus ossos, um por um, que arrebentassem todas as minhas veias, porque nada era páreo para a dor que eu sentia. Senti uma saudade que me sufocou. Uma saudade que me maltratou, chicoteou e não se importou com as cicatrizes.


E hoje, oito anos depois, eu ainda sinto saudades do meu pai. Não choro. Não fico triste frequentemente. Aquela saudade doída ainda vive dentro de mim, e eu ainda lembro dele. Principalmente nas noites estreladas – porque a maior e mais brilhante estrela do céu é meu pai. No entanto, não me sinto injustiçada. Me sinto sortuda. Eu tenho um pai. Aliás, eu tenho dois! Meu pai do céu, e meu meio pai, que é meu pai da Terra. E que eu sei que dá duro por mim. Trabalha, rala, briga, dá sermão e principalmente, me ama com todo o coração. E eu não poderia ser mais agradecida por isso. 

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Sei que esse não é o foco principal aqui no blog, mas gostaria de poder compartilhar com vocês alguns desses meus pensamentos. Principalmente hoje, uma data triste, mas feliz. Feliz dia dos pais!

Um beijo, Dó.

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20 comentários

  1. ai dó coisa mais linda, chorei lendo hauhauah beijão ti amu/ju schm

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  2. Que triste, mas ao mesmo tempo muito bonito, tocante e cheio de sentimentos este teu relato.

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  3. chorei... muiito lindo seu texto Dó, realmente perde um pai e muitooooo dificil.

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  4. Ai amor, demais, demais mesmo meu, tu é sensacional guria! Eu te amo! O blog ta sensa tbm hehehehehehehhe /maci

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  5. Bah, me segurei aqui pra não chorar, lindo o texto, pode ter certeza que ele sentiria muito orgulho de você ^_^ beijão Gi

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  6. Eu sempre soube e apostei no teu talento... e estava certa. Você é demais minha Branquinha. Te amo!
    Mãe

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  7. nossa, teu texto ta demais.Chorei lendo, eu te vejo todo dia, e tu ta sempre alegre, deve ter sido mto difícil.Bjuu, ahh e teu blog ta demais

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    1. Muito obrigada!! É difícil, mas a gente vai levando.. Quem é? Heheh
      Beijo!

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  8. lindoooooo dóooooo eu chorei tambm!!!!Deus foi tão bom cntigo, ele colocou no seu caminho um pai especial pra vc!!!!e ainda tem te dado todo o amoooor de uma familia, e de novos amigo que passam a te amar tambm!!!agora tens irmãsssss e um paiiiii maravilhosooooo que é nosso Deus!!!!uhuuuuuuuuuuuuuuuuul

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  9. Dórissssssssss! Você nunca pode ficar triste,por que achamos o teu blog bem legal hahaha( sou pessima em consolar)

    bjones queridinha :P

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  10. Que lindo Dó! Quase chorei lendo hahah sei como é tua dor, perdi meu pai tem dois anos, é difícil mesmo, mas a gente vai vivendo e os nossos pais estão lá em cima, olhando por nós! Beijo linda

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